Sucessão e Governança

Enquanto você reclama do seu sucessor, ele reclama de você — na sala ao lado

Era um encontro de associações empresariais do sul do Brasil. Gente que construiu coisa de verdade. Empresa com nome na fachada e sistema rodando.

Na sala principal, os fundadores. Ternos sem gravata. Relógios que não precisam gritar. Homens e mulheres que começaram com pouco e transformaram em muito.

Na sala ao lado, os filhos. Camisetas polo. Geração que estudou fora, fez MBA, voltou com ideias e encontrou resistência.

Nenhum grupo sabia o que o outro estava dizendo.

Na sala dos fundadores, o assunto chegou sem avisar. Um deles falou do filho que queria mudar tudo. Outro completou: cheio de teoria, mas na hora de fechar negócio na base da confiança, não sabe. Uma mulher, presidente de uma distribuidora com décadas de mercado, disse que não sabia se o filho queria a empresa ou queria provar que era melhor do que ela.

Silêncio respeitoso. Todos entenderam.

Na sala ao lado, a conversa tinha começado mais alto. Um diretor comercial contou que o pai desfez uma negociação de três meses sem avisar, na frente da equipe. Outro completou: é como ser estagiário com sobrenome. Uma mulher, a mais velha do grupo, contou que o avô teve um problema de saúde sério. Descobriram que ele era a empresa inteira. A estratégia, os acordos com os clientes principais, a visão do negócio — tudo estava só na cabeça dele.

Silêncio diferente. Mais pesado.

No corredor, os dois grupos se cruzaram no café. Pai e filho de uma mesma empresa trocaram meia dúzia de palavras sobre o trânsito e seguiram caminhos separados até o estacionamento.

Nenhum dos dois sabia que tinha passado a última hora falando um do outro.

Essa cena se repete toda semana em algum evento empresarial do Brasil. Fundadores que não conseguem imaginar o próprio nome saindo da porta. Sucessores que se sentem invisíveis dentro da própria história.

Os dois lados sofrem com o mesmo problema. Nenhum dos dois sabe que o outro também sofre.

Isso não se resolve na conversa de corredor. Se resolve com estrutura. Um conselho de administração não é sala de fundador nem sala de filho. É a mesa onde os dois se sentam juntos, com regra clara e função definida.

Fale com o Conselho Veríssimo. Marque uma conversa de 20 minutos e descubra como colocar as duas salas na mesma mesa.