A mesma armadilha, numa unidade nova
Uma distribuidora do nosso portfólio está abrindo uma unidade nova. Prédio alugado, reforma começando, tudo no timing certo.
O padrão da empresa, em toda expansão anterior, sempre foi o mesmo: abrir e encher de estoque. Quanto mais cheia a prateleira no primeiro dia, mais rápido ganha mercado — essa era a lógica, e funcionava.
Funcionava quando o dinheiro era barato. O que mudou não foi a lógica comercial. Foi o preço do capital que sustenta ela.
O Conselho não deixou a decisão chegar pronta para aprovação. Fez a pergunta ao contrário: quanto estoque essa operação nova consegue carregar sem comprometer o caixa dos primeiros 90 dias — não quanto ela gostaria de ter na prateleira no dia da inauguração.
A resposta virou um teto. Estoque inicial atrelado ao caixa disponível para o trimestre, com reposição vinculada ao que realmente vende — não ao que parecia bonito no dia zero.
O resultado esperado não é uma prateleira mais cheia. É uma unidade nova que sobrevive ao próprio primeiro trimestre sem pressionar o caixa do resto da empresa para se sustentar.
Quando foi a última vez que a sua empresa expandiu olhando para o que a operação aguenta carregar — e não para o que ela gostaria de ter no primeiro dia?
Governança não é frear a ambição. É perguntar, antes do cheque sair, se o crescimento vai se pagar ou vai cobrar a conta depois.
Um abraço,
Joel Fernandes e Felipe Fernandes
Conselho Veríssimo — Governança, Sucessão e Longevidade para empresas familiares
Enviado por Editora Rico Vai Pro Céu · Florianópolis, Santa Catarina, Brasil
